
É muito comum vermos em perfis do Orkut, no item “quem sou eu” do perfil (sobre o usuário, pra os utilizadores da nova versão), a frase “definir-se é limitar-se”, atribuída ao escritor Oscar Wilde. Alguns entendem que quem a utiliza, o faz no intuito de escapar de sua realidade por medo de expor quem verdadeiramente é e parecer inteligente, mesmo que artificialmente. Outros, porém, julgam ser devido a complexidade do ser humano, que quando se define acaba por limitar suas potencialidades ante as infinitas possibilidades de desenvolvimento, sendo muito menos do que poderia ser.
A busca por respostas e padrões é uma constante em toda história do desenvolvimento humano, que em sua natureza, apresenta uma inquietação e insatisfação infinita. A curiosidade e a necessidade de explicar o mundo em que vivemos é inerente à natureza humana. As definições são apenas uma forma de organizar os resultados dessas buscas por explicações de maneira que se possam reunir em grupos os conhecimentos adquiridos. A padronização é a base da ciência.
Assim, desde que nascemos recebemos diversos rótulos (definições): branco ou negro, católico ou protestante, classe A, B, C... e vamos recebendo outros ao longo do nosso crescimento. Uns advindos do desenvolvimento cronológico: criança, pré-adolescente, adolescente, jovem, idoso. Outros provenientes de comportamentos ou inserções em determinados grupos: nerd, patricinha, ativista, punk, funkeiro, marginal, pagodeiro, blogueiro, axezeiro, etc. Estes rótulos, de certa forma, vão moldando nossa personalidade.
Porém, a natureza humana não é regida por castas estanques, como a sociedade indiana. O ser humano tem a capacidade e a potencialidade de se transformar e encontrar novas possibilidades de desenvolvimento e assim, conquistar novos rótulos, misturá-los ou até mesmo criar novos.
Foi-se o tempo que a inteligência humana era medida nos famigerados testes de QI, no qual se avaliava apenas a habilidade de interpretação e lógica matemática. As ciências naturais evoluíram e as humanas, também em conseqüência. O ser humano passa a ser enxergado como um ser complexo e de capacidades múltiplas e ilimitadas e a inteligência vista pelo prisma de diversas capacidades. Um astrofísico pode ser um fracasso nas relações sociais (inteligência interpessoal), bem como um artista pode alcançar o sucesso sem a mínima habilidade de solucionar desafios de lógica. Mas, nada impede que um cientista seja músico, ator seja médico ou um pagodeiro seja corretor de valores mobiliários.
Não quero neste pequeno texto de apresentação definir o que é certo ou errado, nem ir de encontro às delimitações e definições, visto que estas são úteis e necessárias. O que pretendo é apenas demonstrar que o bom é a diversidade, é sermos “tudo junto e misturado”, termos liberdade para definir, limitar, mas também, criar, inovar.
Somos feitos para o infinito, por isso esta coluna terá assuntos diversos, pois a vida não é uma só, são diversas vidas unidas em uma rede formada por um emaranhado de relações, na qual nos balançamos, dormimos, curtimos ou contemplamos. Falaremos de direito, teatro, música, dança, comportamento, religião, TV ou qualquer outro assunto que nos seja sugerido ou der na telha. Conto com a participação de vocês, leitores, que se quiserem entrar e embarcar nessa nossa viagem, fiquem À VONTADE.